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Procura por dólar e euro dispara no primeiro semestre de 2022, diz Abracam

Por redação

As casas de câmbio registraram uma disparada na procura pelo dólar e pelo euro no primeiro semestre desse ano. Impulsionados pela reabertura de fronteiras e retomada das viagens posteriormente o período de demanda reprimida provocado pela Covid-19, a moeda norte-americana teve subida de 250%, enquanto o euro somou aumento de 1.100% em relação ao mesmo período de 2021.

Os dados foram levantados pela Associação Brasileira de Câmbio (Abracam) a pedido da CNN Brasil. Apesar da recuperação, os índices ainda estão aquém do nível pré-pandemia. Em verificação ao primeiro semestre de 2019, o setor tem, atualmente, um volume 50% menor para o dólar e 60% menor para o euro.

“Nós tínhamos fronteiras fechadas e perspectiva quase zero de viagem. Portanto, muito do que a gente enxerga hoje é um desenvolvimento bastante significativo, mas ainda estamos aquém dos movimentos normais. O aumento da moeda também é um fator com atenção próprio”, destaca a presidente executiva da Abracam, Kelly Massaro.

Por conta do aumento na taxa de câmbio neste mês, o setor já observa uma queda nas vendas em verificação a maio. No último mês, o dólar chegou a custar R$ 4,75. Nesta quarta-feira (22), a moeda americana fechou a R$ 5,179, posteriormente uma subida de 0,5%.

“Março, abril e maio foram meses muito bons. Só que o novo aumento do dólar dá aquela revertida no incentivo das pessoas. Antigamente, por exemplo, nos Estados Unidos, você via alguma coisa a US$ 30, US$ 40, que parecia barato, mesmo com o dólar entre R$ 3 e R$ 4. Hoje, com impostos da moeda e do país lugar, nós estamos esperando multiplicar por seis? É muito”, avalia Massaro.

Um levantamento da plataforma Melhor Câmbio, profissional em cotação de câmbio turístico, apontou que a compra da moeda norte-americana gerou um valor de R$ 372,6 milhões nos primeiros seis meses de 2022. Já o euro chegou a registrar R$ 247 milhões, no primeiro semestre deste ano.

Ao todo, a pesquisa somou mais de 47 milénio negociações somente pela procura do dólar, em 800 casas de câmbio espalhadas pelo país. No mesmo período de 2021, os números fecharam em 10.923 movimentações de compra.

Em relação ao próximo semestre, o setor ainda não demonstra altas expectativas. O cenário macroeconômico e a chegada das eleições são os principais fatores que podem desacelerar a compra de moeda estrangeira, segundo Stéfano Assis, CEO da plataforma Melhor Câmbio.

“Acredito que a gente ainda não supere ou atinja os números pré-pandemia, muito em função da recessão global que a gente está vivendo. Existem especialistas que estão prevendo a recessão se estendendo para o segundo semestre de 2022 e com potencial ainda de se estender para 2023. Portanto níveis pré-pandemia, a gente só vai ter a partir do ano que vem. Se, condicionado a essa questão global, macroeconômica que a gente tá vivendo”, afirma Assis.

Para a presidente executiva da Abracam, Kelly Massaro, os resultados otimistas para 2022 se concentraram no primeiro semestre. “Nós estamos avaliando que será o semestre melhor do ano por essas questões. Até porque o incentivo da queda da moeda ajudou bastante o início do ano com retomada da economia mais pujante, foi importante também. Portanto, a gente acha que esses últimos seis meses são meses mais conservadores e que as pessoas ainda estão avaliando e projetando”, ressaltou.

CNN Brasil

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