Weather Widgets for Websites by Weatherwidget.org

Presidente do FNDE relata presença de pastores em eventos no MEC

Por redação

A Percentagem de Ensino do Senado recebeu, em audiência nesta quinta-feira (7), o presidente do Fundo Pátrio de Desenvolvimento da Ensino (FNDE), Marcelo Lopes da Ponte, que negou relação com um suposto esquema de depravação envolvendo repasses de verbas do Ministério da Ensino a prefeituras.

A percentagem avalia as denúncias sobre a suspeita de que o ex-ministro da Ensino Milton Ribeiro praticava beneficiamento indevido na destinação de verbas públicas do MEC através da intermediação dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, que cobrariam propina de prefeitos.

O presidente do FNDE confirmou que participou de ao menos quatro agendas com esses religiosos, mas disse que não presenciou “conversas suspeitas” em nenhuma das ocasiões. Ponte também negou que qualquer funcionário do Fundo tenha relações com os pastores ou até mesmo com os prefeitos que teriam sido beneficiados com os repasses.

Sobre as vezes em que se encontrou com Arilton Moura e Gilmar Santos, o presidente do FNDE afirmou que se tratavam de encontros protocolares em eventos públicos, e que o papel dos pastores nessas ocasiões era o de somente fazer orações.

“Às vezes faziam alguma fala, alguma reza. Foi o que eu percebi, que eu tive entendimento. Zero aliás que eu tenha percebido. Eram o que eles geralmente faziam”, relembrou.

Durante a audiência, que teve duração de tapume de quatro horas, Ponte reafirmou que os repasses de verbas a todos os municípios citados nas denúncias sobre o suposto esquema de favorecimento intermediado pelos religiosos “foi suspenso pelo FNDE cautelarmente”.

Os pastores evangélicos acusados de tráfico de influência, Arilton Moura e Gilmar Santos, foram convidados pela percentagem a participarem da mesma audiência, no entanto, enviaram ofícios informando que não compareceriam.

Instauração de uma CPI

Diante da recusa dos religiosos, o presidente da Percentagem de Ensino, senador Marcelo Castro (MDB-PI), voltou a falar sobre a possibilidade de instauração de uma Percentagem Parlamentar de Interrogatório (CPI) para investigar o caso.

“O que nós queremos é esclarecer os fatos. O que nos compete é que os recursos públicos realmente cumpram sua função na sociedade, para nós termos uma instrução de melhor qualidade. Pelo menos ele [o presidente do FNDE] veio cá e prestigiou nossa percentagem”, afirmou Castro.

Para a instauração de uma CPI, são necessárias 27 assinaturas de senadores. No momento, o requerimento para sinceridade da percentagem de questionário conta com 25 nomes.

Resguardo de Milton Ribeiro

O gestor do FNDE ainda defendeu o ex-ministro da Ensino Milton Ribeiro durante a participação na audiência.

“O ministro Milton Ribeiro é pessoa da minha mais elevada estima, de cordialidade, reverência. Acredito na conduta dele, na postura que teve frente ao Ministério. Minha relação com ele sempre foi a melhor verosímil”, afirmou Ponte.

Na avaliação do presidente do Fundo, o seu nome foi utilizado, assim porquê o do ex-ministro Ribeiro, para a realização de lobby em questões relacionadas à Ensino. “Acredito que terceiros usaram o nosso nome para se gabaritar ou para fazer lobby sem a nossa autorização”, pontuou.

Entenda as denúncias contra Milton Ribeiro

Em um áudio obtido pelo jornal “Folha de S.Paulo” e em reportagens do “O Estado de S. Paulo”, Ribeiro é envolvido no que seria um esquema de favorecimento a pastores na pasta.

Em uma conversa gravada, o ministro afirma que recebeu um pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL) para que a liberação de verbas da pasta fosse direcionada para prefeituras específicas a partir da negociação feita por dois pastores evangélicos que não possuem cargos no governo federalista.

Na gravação, Ribeiro diz que se trata de “um pedido privativo do presidente da República”. “Foi um pedido privativo que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, diz o ministro na conversa com prefeitos e outros dois pastores, segundo o jornal.

Ribeiro continua: “Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar.”

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura são os citados nos áudios. Segundo o jornal, os dois religiosos têm negociado com prefeituras a liberação de recursos federais para obras em creches, escolas e compra de equipamentos de tecnologia.

Na conversa vazada, o ministro de Bolsonaro indica que, com a liberação de recursos, pode ter uma contrapartida.

“O base que a gente pede não é sigilo, isso pode ser [inaudível] é base sobre construção de igrejas”. Nos áudios, não fica evidente a forma porquê esse base se daria.

No ano pretérito, para poupar as emendas parlamentares de um golpe maior, o governo promoveu um bloqueio de R$ 9,2 bilhões de despesas de ministérios e estatais que atinge principalmente a Ensino.

Ribeiro negou que tenha favorecido pastores. Em nota enviada à CNN, o ministro dizia ainda que o presidente “não pediu atendimento preferencial a ninguém, solicitou exclusivamente que pudesse receber todos que nos procurassem”.

Ribeiro deixou o Ministério da Ensino em 28 de março.

“Não me despedirei, direi até breve”, diz ministro da Ensino em rascunho de epístola que deverá ser entregue a Bolsonaro. Ribeiro é intuito de um questionário da Polícia Federalista (PF) e do Supremo Tribunal Federalista (STF) por suspeitas de favorecimentos a pastores na distribuição de verbas do Ministério da Ensino (MEC).

Na epístola, Ribeiro diz que sua vida “sofreu uma grande transformação” desde a divulgação de reportagem que o implicavam em um esquema de favorecimento a pastores dentro do MEC.

 

CNN Brasil

Compartilhe este conteúdo

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Veja também