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Preço do prato-feito subiu mais que o duplo da inflação pelo IPC-M, aponta FGV

Por redação

Consumir fora de mansão ficou mais custoso nos últimos 12 meses. De tratado com um levantamento do Instituto Brasiliano de Economia, da Instalação Getúlio Vargas (FGV Ibre), o prato-feito apresentou subida média de 23,53%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Mercado (IPC-M), aferido pela entidade. Esse nível representa mais que o duplo da inflação registrada pelo indicador no período, de 10,37%.

O IPC-M utiliza metodologia dissemelhante da empregada pelo Instituto Brasiliano de Geografia e Estatística (IBGE), responsável por verificar a inflação solene, que é de 12,13% no período. O estudo do FGV Ibre leva em conta conta as variações de preços de dez dos itens mais presentes no famoso “PF”: arroz, feijão-preto, feijão-carioca, alface, batata-inglesa, cebola, tomate, frango em pedaços, ovos e carnes bovinas.

Os vitualhas in-natura foram os grandes vilões para o aumento do preço da repasto de dispêndio mais previsível: o tomate mais que dobrou de preço, com incremento de 126,8%, seguido da batata-inglesa e do alface, que tiveram evolução de 44,65% e 32,5%, respectivamente. Junto da cebola, que acumulou 12,44% de aumento, os componentes que tornam a repasto mais nutritiva e balanceada passaram a tarar no bolso dos brasileiros.

Economista associado do FGV Ibre, Matheus Peçanha aponta que os problemas climáticos têm impacto direto em preços e gôndolas dos hortifrutis:

“A gente tem sofrido sucessivos choques de custos no setor agrário. Em 2020 foi a seca generalizada, logo depois vieram as chuvas muito fortes e agora esse novo verão, com uma monção muito grande, chuvas torrenciais, que afetaram a produção de hortaliças e legumes”, afirmou o economista.

Os preços das proteínas também foram impactados pelas chuvas, mas sofreram principalmente com a subida do dólar, a maior demanda internacional e o consequente aumento da exportação, que esvazia o mercado interno. As carnes bovinas tiveram subida de 11,82%, o frango de 21,1% e os ovos, que seguem a tendência da granja, de 11,32%.

Os únicos preços a caírem foram o do arroz, que registrou baixa de 10,5%, e o feijão-preto, com queda de 3,4%. O feijão-carioca seguiu a tendência de subida, com aumento de 5,71%.

Bares e restaurantes tão são afetados

A subida da inflação também atinge donos e consumidores de bares e restaurantes em todo o Brasil. Em abril, de tratado com o IPCA, a inflação nos últimos 12 meses da alimento fora de mansão foi de 6,63%, enquanto o aumento de preços das refeições dentro do lar foi de 13,73%.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, são os empreendedores que seguram a subida de preços do setor:

“Se por um lado isso torna mais vantajoso para o consumidor consumir fora de mansão, em termos relativos, por outro, diminui as margens de um setor que ainda está buscando uma recuperação. O caso da cerveja é réplica. Nos supermercados o preço para o consumidor subiu 9% nos últimos doze meses, enquanto nos bares foi menos da metade disso”, disse.

Em algumas capitais, os preços de bebidas e vitualhas em bares e restaurantes chegaram até mesmo a apresentar queda, na tentativa atrair a clientela. No Rio de Janeiro, a redução foi de 0,38%, seguida por quedas de 0,32% em Fortaleza e 0,1% em Brasília.

Impacto no vale-refeição

O tempo gasto para utilizar todo o saldo do vale-refeição é de, em média, 24 dias. É o que aponta um levantamento feito pela Instalação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em parceria com a Alelo, empresa especializada em benefícios corporativos.

A atual duração do favor pago mensalmente é subalterno ao registrado antes da pandemia, de 27 dias. O valor médio também caiu: de R$ 465,20 para R$ 415,30.

Dona de um restaurante no Catete, na Zona Sul do Rio de Janeiro, Jaqueline Rodrigues conta uma vez que percebe os efeitos dessa redução em termos de comportamento de consumo:

“Temos uma boa venda na primeira quinzena do mês, quando os tickets são recarregados. Mas na segunda quinzena, quase zero. As pessoas que almoçam no pausa do trabalho são as mais prejudicadas”, disse.

A pesquisa também aponta que o poder de compra do vale-refeição tem sido pressionado em duas frentes: pela queda no valor médio dos benefícios e pela aceleração da inflação na economia brasileira.

*Sob supervisão de Stéfano Salles

CNN Brasil

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