Pré-candidatos a presidente falam sobre geração de ofício para jovens com baixa escolaridade 

Por redação

Os dados de março do IBGE (Instituto Brasílico de Geografia e Estatística) apontaram que havia muro de 12,1 milhões de cidadãos sem ofício no país. O combate à taxa de desocupação é uma das principais questões a serem enfrentadas pelo presidente que será eleito em outubro de 2022.

De conformidade com números da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Rancho, a taxa de desemprego de longo prazo no país “se caracteriza pelo soberania de pessoas jovens, com idade entre 17 e 29 anos”. Nesta fita etária, 80% possuem somente o ensino médio completo.

A CNN perguntou aos pré-candidatos: porquê gerar empregos para os jovens com baixa escolaridade?

Veja inferior o que eles responderam até agora:

Lula (PT):

A assessoria do ex-presidente disse que o projecto de governo será elaborado com a sociedade e os partidos aliados e entregue na data prevista pelo TSE.

Jair Bolsonaro (PL):

O presidente não respondeu até o momento da publicação.

Ciro Gomes (PDT):

O presidenciável não respondeu até o momento da publicação.

João Doria (PSDB):

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que o desemprego mais proeminente entre jovens é um fenômeno mundial. Pelas características dessa mão de obra, o grupo é mais sensível ao envolvente macroeconômico instável – em quadros recessivos, empresas demitem primeiro os mais jovens e interrompem contratações.

O Brasil está no grupo de países com taxas mais elevadas de desemprego de jovens, o que está associado ao insignificante prolongamento da economia e, também, à deficiente qualificação da mão de obra, prejudicando a produtividade do trabalho e, assim, a empregabilidade. Pesquisas mostram que períodos prolongados de desemprego entre jovens têm repercussões para a vida toda desses indivíduos, em termos de empregabilidade e renda. Há também consequências perversas sobre a criminalidade.

Esse quadro justifica a ação governamental por meio de políticas ativas de ofício para jovens carentes e de baixa renda para minorar o sofrimento das gerações atuais, mormente depois de duas recessões severas e em meio a avanços tecnológicos que comprometem ainda mais a empregabilidade dos jovens de renda baixa. A experiência mundial recomenda políticas ativas de treinamento – políticas para reduzir a remuneração ou trouxa tributária não se mostram efetivas isoladamente – levando em consideração a heterogeneidade do grupo, o que demanda ações específicas para os diferentes perfis de jovens.

A experiência mundial também revela a relevância de envolvimento de organizações de trabalhadores e empregadores no imagem e implementação de políticas focalizadas para permitir sua efetividade, que, grosso modo, tendem a ser pouco efetivas.

Importante pontuar que o treinamento sozinho não gera vagas de ofício, sendo necessário proceder com reformas pró-crescimento. Aliás, a qualidade da instrução básica e a expansão de escolas técnicas são pré-condição para a efetiva inclusão de jovens.

As propostas consistem em:

  • subvenção parcial para qualificação profissional de recém-contratados (on the job training), com participação de organizações de trabalhadores para a efetividade do programa (qualidade do treinamento);
  • financiamento público de cursos técnicos e vocacionais oferecidos pelo setor privado para indivíduos fora do ensino médio (protótipo Fies), com avaliação dos cursos oferecidos e participação de organizações de empregadores para adequação dos cursos às demandas de mercado;
  • políticas para chegada ao crédito para jovens de perfil empreendedor;
  • programa temporário de experiência no trabalho no setor público e privado (protótipo de jovem noviço), incorporando assistência e aconselhamento aos mais vulneráveis.

Para implementação dos programas, serão buscadas fontes de financiamento parcial junto a organismos internacionais.

As políticas serão monitoradas e avaliadas sistematicamente para ajustes necessários e decisões de renovação/interrupção. Para tanto é necessário estabelecer metas, adotar de indicadores a serem observados e definir grupo de controle.

André Janones (Avante):

O ideal não é discutir subemprego para quem não tem qualificação. É gerar qualificação para dar honra ao jovem. E não é aquela que só o mercado precisa. Falta a que aproveita a vocação que a geração de hoje esbanja e mais ainda as que estão chegando. Isso limita a possibilidade de ofício e rouba honra dos mais jovens.

O Brasil precisa  oferecer  formação profissional de conformidade com os tempos em que estamos. O jovem brasiliano é criativo e empreendedor. Ficou muito simples com as oportunidades de renda que nosso povo criou durante a pandemia, mas isso ele aprendeu na marra, enquanto outros povos e as classes mais privilegiadas daqui aprendem na escola também.

Não podemos mais tolerar o analfabetismo, que voltou a crescer, ou que 87% dos jovens não falem inglês em um momento de oportunidades globais. A “NASA tem de estudar o brasiliano” não é um meme, é o reconhecimento de nossa capacidade de fazer. Falta ao sistema educacional dar as ferramentas para isso.

Simone Tebet (MDB):

É inegável que gerar empregos é uma ação urgente no Brasil. E sabemos que quando a crise bate na porta ela é mais cruel com os menos qualificados. Ampliar os postos de trabalho é crucial, mas para isso o Brasil precisa de um bom envolvente de negócios para dar segurança jurídica e institucional, com regras claras, para empreendedores, empresários e investidores.

Neste cenário conturbado que vivemos, os jovens são os mais afetados, pois não precisam só de ofício, mas de qualificação na procura de uma melhor colocação no mercado de trabalho. A baixa escolaridade gera ofício de baixa qualidade. Não é isso o que quero. Não é isso o que o Brasil quer e precisa. Assim, instrução e qualificação são palavras-chave desde já para o país.

Por isso, precisamos com urgência de um ensino técnico vocacionado, voltado para as aptidões dos nossos jovens. É necessário ainda proceder com a reformulação do Ensino Médio, para que possamos transfixar as portas para o ingresso dos jovens nas universidades, com as mesmas oportunidades para todos. Com instrução, tecnologia e inovação os jovens do Brasil poderão olhar para o porvir. É isso, é essa visão de um país com oportunidades iguais e potente tanto na instrução porquê na qualificação das pessoas, que dá sentido à minha pré-candidatura à Presidência da República

Felipe d’Avila (Novo):

Primeiro temos que guerrear a raiz do problema, que é a baixa escolaridade. E, no caso desses jovens, o incentivo ao ensino técnico e profissionalizante é fundamental. Isso deve ser feito de forma descentralizada, com cada região de cada estado oferecendo cursos técnicos voltados às suas vocações produtivas, seja no agro, no setor metalmecânico, turismo etc.

Sobre o desemprego que esses jovens enfrentam hoje, é preciso fazer a economia voltar a crescer, para gerar mais oportunidades, e é preciso modernizar a legislação trabalhista. Nossas leis trabalhistas dificultam o ofício formal criando muitos encargos e dificuldades para quem quer contratar. E quem mais sofre com essas barreiras são os trabalhadores com menos experiência e qualificação – esses jovens de 18 a 29 anos com baixa escolaridade. Terminar com o monopólio da CLT nas leis trabalhistas vai transfixar as portas para muitos jovens que ainda não tiveram uma oportunidade. Primeiro, temos que guerrear a raiz do problema, que é a baixa escolaridade. E no caso desses jovens, o incentivo ao ensino técnico e profissionalizante é fundamental. Isso deve ser feito de forma descentralizada, com cada região de cada estado oferecendo cursos técnicos voltados às suas vocações produtivas, seja no agro, no setor metalmecânico, turismo etc.

Luciano Bivar (União Brasil):

Nosso projecto de governo inclui vasto incentivo ao primeiro ofício de jovens, começando pela isenção de tributos no primeiro ano para empresas que contratarem jovens sem experiência.

Por meio da implementação do Imposto Único Federalista (IUF), será provável desonerar a folha de pagamentos e destravar a economia. Aliás, considero forçoso investir nos ensinos técnico e profissionalizante.

Debate

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

CNN Brasil

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