Paridade de importação fez preço do gás de cozinha aumentar R$ 45 em três anos

Por redação

Desde a adoção do preço de paridade de importação (PPI) para o gás de cozinha pela Petrobras, o dispêndio do botijão para o consumidor já registra, em pouco menos de três anos, aumento de 64%, ou R$ 45 a mais, no orçamento de 98% das famílias brasileiras, que usam o combustível para cozinhar.

Segundo dados da Sucursal Pátrio de Petróleo, Gás Proveniente e Biocombustíveis (ANP), em setembro de 2019, um mês em seguida a aprovação da novidade política de preço da estatal também para gás de cozinha, o dispêndio médio de um botijão de 13 kg era de R$ 68,85.

Atualmente, segundo o último boletim da ANP, divulgado sexta-feira (6), o preço médio é de R$ 113,11.

A partir da adoção do PPI, o preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) foi modificado pelo menos 20 vezes, segundo informações fornecidas pela Petrobras à CNN.

De 31 de março de 2020 a abril deste ano, foram 17 aumentos consecutivos.

Já no dia 8 de abril, a empresa reduziu o valor nas refinarias, passando de R$ 58,21 para R$ 54,94 para o botijão de 13 kg.

Segundo o levantamento da CNN, o preço do botijão de gás passou a simbolizar uma parcela maior no orçamento dos brasileiros. Em 2019, o salário-mínimo no país era de R$ 998, quando o botijão concentrava 6,8% dos vencimentos naquele período.

Agora, em 2022, a remuneração mínima é de R$ 1.212 e o impacto do item é de 9,3% de um salário.

À CNN, Magda Chambriard, consultora em vigor da Instauração Getúlio Vargas (FGV) e ex-presidente da ANP, explica que o Brasil não é autossuficiente na produção e fornecimento de GLP, porém, ela acredita que a Petrobras poderia tomar medidas para subsidiar o preço do resultado para o consumidor brasílico e moderar os efeitos da paridade.

“A Petrobras poderia, por exemplo, diluir o preço do botijão de 13Kg, que é o utilizado na cozinha do brasílico, nos demais combustíveis. A Petrobras tem uma responsabilidade social por ser por secção do Estado, portanto não é uma imposição de prejuízo, mas uma possibilidade de um agente monopolista estatal”, defende.

O presidente Jair Bolsonaro tem feito críticas à política de preços de paridade de importação da Petrobras e avalia que a medida é errada.

Em live na última quinta-feira (5), o presidente disse ainda que a estatal “não pode mais aumentar o preço dos combustíveis, isso é um transgressão”.

Para Pedro Rodrigues, sócio do Meio Brasílio de Infraestrutura (CBIE), deveria ter um subvenção permanente para a oferta do gás de cozinha direcionado a famílias de baixa renda e essa medida deve partir dos cofres do governo federalista.

“O gás de cozinha está presente em 98% das casas brasileiras. Quando esse resultado fica inacessível, as pessoas passam a usar materiais químicos perigosos para cozinhar, porquê lenha e até combustível. Isso é um problema gravíssimo. Logo, uma solução seria pegar o valor do lucro do governo federalista com a Petrobras ou arrecadação de royalties, e fabricar um programa permanente para prometer o aprovisionamento para os mais pobres”, destaca.

De concordância com dados da ANP, em 2022, a Petrobras foi responsável por 91,8% do fornecimento de GLP no Brasil. Já a Petrobras informou que, no primeiro trimestre desse ano, importou muro de 32% do gás de cozinha que ofertou ao mercado interno.

A CNN procurou a Petrobras para comentar a política de preços adotada em 2019, mas não teve retorno.

CNN Brasil

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