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Como evidências científicas nos ajudam a melhorar nosso trabalho

Nos projetos de Médicos Sem Fronteiras ao redor do mundo, a pesquisa operacional e a análise científica ajudam a melhorar a qualidade do atendimento, avaliar nossas ações médicas ou analisar em profundidade os desafios que se apresentam. Oito pesquisadores explicam como seu trabalho apóia projetos de MSF na Guiné, em Bangladesh, no Zimbábue e em outros países.

O cuidado certo para sobreviventes de violência

Na Grécia, a pesquisa operacional ajuda a ampliar a voz das vítimas de violência e a proporcionar-lhes melhores cuidados. Em um centro para sobreviventes de tortura em Atenas, uma série de entrevistas explorou como os solicitantes de asilo e refugiados que são sobreviventes de tortura percebem o trauma, e sugeriram que o contexto cultural e as condições sociais afetam diretamente a reabilitação.

 

Na República Democrática do Congo (RDC), Doris Burtscher, antropóloga médica da Unidade de Avaliação de Viena de MSF, falou com mulheres em Mweso, Mambasa e Lulingu, destacando a necessidade de cuidados de aborto seguro. “Embora nem todas as mulheres que solicitam abortos tenham sido vítimas de violência, as mulheres muitas vezes não têm poder de decisão e autonomia em relação à sua sexualidade”, disse ela.

Novos e persistentes desafios nos cuidados ao HIV e à tuberculose

MSF geralmente oferece cuidados a pacientes de HIV e tuberculose (TB) em todo o mundo, incluindo na Guiné e na África do Sul. “Em nosso hospital em Conacri, uma em cada três pessoas com HIV avançado morreu após dar entrada no hospital”, disse Kassi Nanan-N’Zeth, coordenador médico em Conacri. “Nossa questão de pesquisa foi saber se e como os cuidados podem ser melhorados antes, durante e depois da hospitalização”, acrescentou.

Na África do Sul, o projeto Dobrando a Curva tem testado modelos de cuidados orientados para a comunidade, como testes de HIV e aconselhamento para pessoas que vivem longe dos centros de saúde. “Nós comparamos dados de pesquisas domiciliares em KwaZulu-Natal, África do Sul, sobre tratamento e conscientização sobre o HIV”, diz Vinayak Bhardwaj, coordenador-geral interino na Cidade do Cabo. “Nossos dados de pesquisa nos mostram o quanto nossos serviços de mobilização comunitária, promoção da saúde e tratamento realmente foram bem-sucedidos.”

Passando da pesquisa operacional para a mudança de política e práticas

MSF também usa resultados de pesquisas operacionais para impulsionar mudanças em seus programas, testar e validar novas ferramentas para tratar melhor os pacientes ou defender mudanças de políticas em nível nacional ou global.

No Zimbábue, por exemplo, a pesquisa operacional levou a uma abordagem de saúde ambiental mais abrangente e a um inovador kit de ferramentas de água, saneamento e higiene para localizar, perfurar e gerenciar melhor os poços.

No Iraque, MSF e sua parceira Humanity & Inclusion estão testando uma ferramenta para avaliar o papel dos serviços de reabilitação nos cuidados ao trauma e coletar melhores dados sobre como apoiar os pacientes no caminho de volta à independência em suas vidas diárias.

Nell Eisenberg, médica e especialista em doenças infecciosas, trabalhou no centro de tratamento de difteria em Cox’s Bazar, Bangladesh, em 2018. A difteria é uma doença evitável por vacina que não é mais uma das principais causas de morte de crianças, mas que está ressurgindo, particularmente em áreas de conflito e com cobertura de vacinação precária. “Nossa pesquisa sobre a abordagem de MSF em Bangladesh explorou a viabilidade e a segurança do uso da antitoxina diftérica para tratar a difteria em ambientes de poucos recursos”, disse Nell.

Em Conacri, capital da Guiné, outro estudo concentrou-se nas razões pelas quais as crianças não foram alcançadas durante as campanhas de vacinação em massa contra o sarampo. Essas entrevistas e discussões agora ajudam a identificar equívocos e barreiras que limitam a abordagem de vacinação de MSF.

Fonte: MSF -Médicos Sem Fronteiras

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