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Manter Selic subida seria adequado, mas é preciso ser razoável, diz diretor do BC

Por redação

O diretor de Política Monetária do Banco Meão, Bruno Serra, disse nesta segunda-feira (16) preferir um cenário de taxa de juros paragem em um patamar eminente por mais tempo para atingir a meta de inflação, mas ponderou que nem sempre isso é provável, em meio a especulações do mercado sobre os próximos movimentos do BC no combate à inflação.

Em evento promovido pelo Goldman Sachs, Serra afirmou que se pudesse escolher atrasar o período de manutenção da Selic em um patamar mais proeminente, essa seria uma opção “adequada”, ressaltando todavia que a decisão precisa ser “razoável” e considerar outros fatores, uma vez que a atividade econômica.

“A gente fez o trabalho mais rápido do que nossos pares, a gente imaginava poder parar (o aperto) nessa reunião (de maio); o cenário piorou, a gente teve que estender o ciclo, dar uma sinalização de provável extensão do ciclo, mas daqui para frente eu acho que o tempo dirá”, disse.

Há murado de duas semanas, o BC subiu a Selic em 1,0 ponto percentual, a 12,75% ao ano, e disse ser provável uma extensão do movimento de subida dos juros com um ajuste de menor magnitude na próxima reunião, em junho, sem especificar se esse seria o último aumento da taxa.

“Se eu puder escolher atrasar o período de convergência, atrasar a manutenção da Selic em um nível apertado, renda eminente, e for provável entregar a meta de inflação com essa política, acho que ela é adequada, mas precisa ser razoável”, disse, ponderando que o BC fará ajuste no ciclo se necessário.

O diretor justificou que até o momento houve poucos sinais de desaceleração da atividade, mas que as pressões nesse sentido agora serão ampliadas.

Depois de ressaltar que a taxa de juros entrou em campo contracionista recentemente, no termo de 2021, ele afirmou que os efeitos defasados da política monetária começarão a ser sentidos no segundo semestre deste ano, impactando a economia e abrindo caminho para recuo da inflação.

“Daqui para frente, há risco crescente de a política monetária fazer efeito e desacelerar a demanda”, disse.

Apesar da avaliação de que a atividade deve esfriar nos próximos meses, ele afirmou que o setor de serviços ainda tem espaço para restabelecer e há melhores perspectivas para o incremento estrutural do país com cenário mais favorável de câmbio, poupança interna e balanço de pagamentos.

Sobre o foco da atuação do BC, Serra disse que é válido discutir um estiramento do horizonte relevante da política monetária, mas ressaltou que a autonomia está hoje focada no cumprimento da meta de inflação em 2023.

Segundo ele, a partir de agosto deste ano, a mando monetária passará a incorporar em seu horizonte relevante qualquer peso para o ano de 2024.

CNN Brasil

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