Em procura de votos conservadores, Lula modera exposição e troca vermelho pelo verdejante e amarelo

Por redação

A possibilidade de a eleição de outubro ser decidida no primeiro vez e a procura de geração de uma frente antibolsonarista fizeram com que Lula, em seu exposição de sábado (7), adotasse temas, abordagens e cores mais compatíveis com os que o PT costuma usar na disputa da rodada final.

O verdejante e amarelo ocupou o lugar tradicionalmente ocupado pelo vermelho nessa temporada da campanha; o paladar do chuchu alckimista amenizou o sabor possante e característico do molusco petista. A termo paixão foi citada duas vezes – o ódio, seu contraponto, também foi lembrado, numa associação com o governo Jair Bolsonaro. Em 2002, Lula dizia que a esperança venceria o susto; agora prega que o paixão vai derrotar o ódio.

Ainda com referências a temas tradicionais da esquerda – resguardo de estatais, de aumentos reais de salários, críticas a mudanças na legislação trabalhista – o exposição lido pelo ex-presidente não falou em virar a independência do Banco Médio nem em revogar a reforma trabalhista aprovada no governo Michel Temer. Ele disse que iria estimular “a negociação em bases civilizadas e justas entre patrões e empregados”.

Citou os casos de assassinatos de mulheres, mas passou ao largo do tema do monstro. Segundo ele, seus governos foram marcados pelo diálogo, numa outra tentativa de marcar diferença em relação ao procuração do atual presidente.

A carência, até cá, de outras candidaturas viáveis fortalece a polarização com Jair Bolsonaro e aumenta a chance de um deles ocupar, em 2 de outubro, a metade mais um dos votos, o que impediria um segundo vez. No sábado, Lula tratou de vender uma imagem de conciliador – mais do que o base formal do PSOL, o amplexo na ex-prefeita Luiza Erundina selou a federação com o PSOL.

Guardado o base da esquerda, Lula vai em procura do sufragista conservador. O tom sereno tenta impedir que Ciro Gomes se apresente porquê uma versão light da esquerda (um figurino que, pelo próprio temperamento, o próprio pedetista tem dificuldade de vestir; ele também já se disse contra a independência do BC). Serve também de meneamento para os políticos que ainda tentam viabilizar uma terceira via. Uma vez que verbalizou Geraldo Alckmin, Lula seria assim a única via.

Por falar nisso. A decisão de Luciano Bivar (União Brasil) de reafirmar sua pré-candidatura à Presidência praticamente sepultou a possibilidade de uma união de candidatos de meio direita, pelo menos, neste momento. Segundo o presidente de um dos partidos envolvidos na negociação, a unificação, se vier, ocorrerá no segundo semestre, com as campanhas nas ruas.

Ao bancar a própria candidatura, Bivar surpreendeu o MDB, que contava com ele para ocupar o incumbência de vice na placa da senadora Simone Tebet. Uma vez que na cantiga de Chico Buarque, Bivar se acostumou à fantasia de candidato a presidente.

Houve também argumentos menos lúdicos. O governo mandou expor que, em caso de federação com o MDB, haveria mudança no comando da poderosa Codevasf, Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, principal sorte das verbas destinadas por deputados e senadores por meio do orçamento secreto. O presidente da empresa foi indicado pelo deputado federalista Elmar Promanação (União Brasil-BA). Um tipo de recado que desestimula qualquer tentativa de rebelião.

 

CNN Brasil

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