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Eleitores não querem terceira via, diz Renato Meirelles

Por redação

Em entrevista à CNN, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, afirmou que, apesar de o mercado querer a vitória da terceira via nas eleições presidenciais deste ano, os eleitores não querem.

Ao comentar os dados da última pesquisa Ipespe, Meirelles afirmou que a polarização deve prevalecer. O levantamento mostrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% das intenções de voto Jair Bolsonaro (PL) com 34%.

“O mercado pode querer uma tentativa de terceira via, os jornalistas podem querer uma tentativa de terceira via, secção considerável dos empresariados e dos analistas gostariam de ver uma candidatura de terceira via, mas, objetivamente, conforme boa secção das pesquisas tem mostrado há mais de seis meses, quem não quer uma terceira via são os eleitores brasileiros”, afirmou Meirelles.

Segundo ele, até o momento, Ciro Gomes (PDT), que apareceu com 9% na pesquisa, é “na prática, a candidatura que mais se aproxima da terceira via”. Já que o candidato tem pelo menos metade dos votos que não vão para Lula ou Bolsonaro.

Outrossim, o perito destaca que todas as articulações de outros partidos para a terceira via “não [há um] que não passe pela conversa com o pedetista”.

Meirelles, no entanto, ressalta que ele tem menos eleitores do que na última eleição, de 2018. Isso se dá porque o ex-presidente tem um possante eleitorado no Nordeste. “Uma coisa é o Ciro concorrer contra o Haddad (o que aconteceu na última eleição), e outra coisa é contra o ex-presidente”.

De todo modo, o perito adverte que é muito difícil imaginar que a eleição deste ano termine no primeiro vez, por mais que o processo eleitoral já esteja avançado e “o sufragista esteja antecipando seu voto do segundo vez para o primeiro”.

Meirelles lembra que para as eleições de 2006, quando Lula tinha muro de 70% de aprovação, ele não conseguiu invadir o missão no primeiro vez, e disputou com Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo vez. Vale lembrar que para ser eleito é necessário ter 50% dos votos + 1.

Saída de João Doria 

O ex-governador de São Paulo desistiu da candidatura à presidente em 23 de abril. E, dessa forma, segundo o presidente do Locomotiva, 50% dos eleitores que iriam votar no candidato migraram para o ex-presidente, enquanto 25% apontaram que devem votar em Bolsonaro.

“Isso se dá basicamente pelo sufragista histórico do PSDB ter se incomodado com os ataques que Bolsonaro fez à campanha de vacinação desenvolvida por Doria”, afirmou o perito.

CNN Brasil

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