Do racismo que mata ao racismo polido

Por Brunialti Welinton

A experiência de visitar um museu afro-americano em Iowa, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, contrasta com a presença de poucos negros no lugar. Quando eu disse, por exemplo, que estava em Iowa, porquê secção dos estudos, ouvi de integrantes do superior escalão do governo americano a seguinte pergunta, em tom de surpresa: “há negros em Iowa?”.

Um dos objetivos do programa de liderança profissional, com jornalistas brasileiros negros, é justamente esse: mostrar porquê os estados americanos vivem realidades diferentes sobre racismo e inclusão.

A incerteza tem razão de ser, uma vez que a retrato diária do estado é a de pessoas brancas, principalmente estudantes, habitando as ruas e lugares sociais. E onde estão os negros? Em um pavilhão de comida popular e artesanato da cidade eles não estão. Isso porque entre as centenas de opções para manducar, não havia expositores negros, apesar da proximidade com o museu afro.

Encontramos negros obviamente na governo do museu e alguns visitantes também –porquê nós mesmos. Posteriormente voltas pela cidade, achei negros na função de motoristas de aplicativos, em grupos pequenos de estudantes e professores da universidade de Iowa, e pontualmente em algumas profissões, porquê jornalistas e funcionários da limpeza.

“Sou o único repórter preto [na minha cidade]. Alguém tem que transfixar a porta, para que as decisões não sejam tomadas em mesas onde somente há brancos sentados. Cá há o racismo educado, o racismo polido”, comenta Ty Rushing, jornalista preto de Iowa, que conversou com o meu grupo de estudos para apresentar seu novo documentário, lançado neste mês, sobre a luta racial, Telling Our Own Story: ending racism (Contando nossas próprias histórias: término do racismo).

Iowa tem negros em diferentes posições no mercado de trabalho, mas em número reduzido de moradores para uma cidade que ostenta um museu totalmente devotado à cultura afro.

Em 1994, um grupo da Igreja Batista Missionária decidiu erguer esse museu interativo e educativo sobre o racismo americano. A risca do tempo vai da retirada de escravos da África e envio para as Américas até a eleição de Barack Obama, passando pelos duros anos de segregação, que impuseram precariedade à população negra no país.
Réplicas em tamanho real de escravos protagonizam a espaço de exposição dedicada à África. Também chamada de Porta Sem Retorno.

Uma pequena roleta, usada porquê jogo interativo, dá opções sobre os destinos possíveis para um servo afro-americano, entre eles: ir para o Brasil; morrer de alguma doença provocada pelas péssimas condições sanitárias; entre outros.

Em outra flanco, duas portas são capazes de transportar para o pretérito, até mesmo para quem conhece esta secção da luta racial somente pelos livros de História. Uma das portas vem acompanhada do aviso de que somente brancos poderiam passar. Ao lado, há um bebedouro grande de porcelana branca. Somente a outra porta poderia ser usada pelos não-brancos, ou “colored”, porquê alerta uma placa por escrito. Ao lado, também há um bebedouro só que, de tão pequeno, mais parece uma pia –propositalmente organizado assim para atender os negros com muito pouco.

Fico imaginando o que passava pela cabeça de quem organizava os espaços dessa forma, seria a arquitetura da segregação. Há uma tensão no ar, o estado respira subdivisão sobre diversos assuntos, com atuação da polícia, uso de armas e direitos civis.

Na quinta-feira passada, Iowa entrou no rotação de estados marcados por tiroteios, em sinal de protesto por quem defende o armamentismo. Um varão atirou e matou duas mulheres no estacionamento de uma igreja e depois disparou contra si mesmo, de harmonia com a polícia. “Momentos antes, [o presidente Joe] Biden pediu ao Congresso que proíba armas de assalto, expanda as verificações de antecedentes e implemente outras medidas de controle de armas para mourejar com os tiroteios em volume. ‘Basta, basta!’, disse o presidente”, de harmonia com a Reuters.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos registraram tiroteios em volume que mataram dez moradores negros no setentrião do estado de Novidade York, 19 crianças e dois professores no Texas e dois médicos, uma recepcionista e um paciente em Oklahoma.

CNN Brasil

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