Deposição surpreendeu Bento Albuquerque, dizem militares e fontes do governo

Por redação

A exoneração do comando do Ministério de Minas Robustez não era esperada pelo almirante Bento Albuquerque, de concórdia com alguns militares do governo ouvidos em caráter reservado pela CNN.

Segundo assessores do governo, a decisão do presidente Jair Bolsonaro (PL) surpreendeu o militar, que discutia medidas para evitar paralisações de caminhoneiros no país.

De concórdia com decreto publicado no Quotidiano Solene da União (DOU) nesta quarta-feira (11), Bento Albuquerque foi exonerado, a pedido, e Adolfo Sachsida foi nomeado para o função. Jair Bolsonaro teria informado Bento Albuquerque sobre sua destituição na segunda-feira (9) à tarde, segundo aliados do presidente informaram à CNN.

O encontro ente Bolsonaro e Bento teria ocorrido no Palácio do Planalto e não foi registrado na agenda de nenhum deles. A CNN tentou contato com Bento Albuquerque e com sua assessoria, mas eles não responderam. A CNN também procurou o Palácio do Planalto e aguarda retorno.

Segundo uma manadeira do Palácio do Planalto que se encontrou com Bento em seguida o encontro com o presidente na segunda, ele estava langoroso, mas acatou a decisão sem maiores questionamentos e manteve a destituição sob sigilo enquanto seguia trabalhando.

Nesta terça-feira (10), de concórdia com técnicos da pasta, Bento chegou a discutir com o Palácio do Planalto uma eventual ampliação da tábua de correção do frete.

No início da noite, em conversa com a CNN, o ministro disse que o governo federalista daria “as respostas necessárias” para a categoria dos caminhoneiros, insatisfeita com o novo aumento do preço do diesel.

“Sempre trabalhamos e estamos trabalhando para dar as melhores condições a essa categoria vital para o país. O trabalho é permanente e vamos dar as respostas necessárias à categoria”, disse à CNN horas antes da publicação da exoneração no Quotidiano Solene.

Escolha do novo nome

Logo que foi feito o aviso a Bento, o governo iniciou a procura pelo substituto. Já na tarde desta segunda, Bolsonaro se reuniu com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para tratar do matéria.

O nome do portanto director da Assessoria Próprio de Estudos Econômicos Adolfo Sachsida foi disposto na mesa, mas segundo fontes do Palácio do Planalto relataram à CNN, outros nomes também foram considerados.

Por essa razão a decisão do novo nome só acabaria sendo tomada na terça-feira e a mudança no ministério só viria a trespassar no Quotidiano Solene desta quarta-feira (11).

Interlocutores de Bolsonaro dizem que a opção por Sachsida tem caráter técnico e político e lembram que o presidente repetiu o movimento que fez ao mexer no comando da Petrobras ao destituir o general Silva e Luna do comando da estatal.

Adolfo Sachsida, novo ministro de Minas e Robustez do governo Bolsonaro / Edu Andrade/Ascom/ME

Preço dos combustíveis e a mudança no ministério

O movimento seria político porque Bolsonaro acaba por indicar – e sacar do governo – mais um responsável pela subida dos preços dos combustíveis.

Na segunda-feira, dia em que Bento Albuquerque teria sido expedido de sua destituição, a Petrobras anunciou que reajustou o preço de venda do diesel para as distribuidoras. Agora, o combustível passou a custar R$ 4,91, e não mais R$ 4,51, por litro, representando uma variação de 8,8%.

Com a troca no ministério, Bolsonaro terceiriza a responsabilidades em um tema um que mexe no bolso do votante e consequentemente dificulta suas chances de reeleição. E daria uma satisfação aos caminhoneiros autônomos de que o presidente não ficou satisfeito com o aumento do diesel, segundo integrantes do próprio governo ouvidos pela CNN.

Outra motivação seria tentar fazer prosseguir medidas com impacto direto na explosivo, porquê a geração de um fundo de estabilização de preços, medida que encontrava resistência no comando de Minas e Robustez.

Aliás, a substituição, com tamanha velocidade, impediria qualquer movimentação do Centrão para tentar ocupar o função. Foram menos de 48 horas entre a destituição e o pregão do substituto.

E, por término, coloca no função um técnico desempenado politicamente ao governo, mas sobretudo alguém de crédito do ministro da Economia, Paulo Guedes, considerado vitorioso na substituição por conseguir simultaneamente expulsar um militar do governo e barrar o progresso da lado política sobre uma dimensão crucial da economia brasileira.

Defasagem no preço dos combustíveis

O aumento do diesel, segundo integrantes do governo, não recuperou na totalidade a defasagem do preço do combustível, que, pelos cálculos feitos por assessores presidenciais, ainda é de muro de 10%.

O mesmo tem ocorrido com a gasolina. O cômputo feito por integrantes do governo é de que a defasagem da gasolina pode chegar hoje a até 15% do preço adotado pelo mercado mundial, o que poderia levar a Petrobras a anunciar um reajuste em médio prazo.

O repasse da defasagem parcial do diesel, segundo integrantes do governo, não foi o que mais desagradou o presidente. A insatisfação deveu-se à rapidez com que o novo presidente da empresa repassou o aumento.

Segundo assessores palacianos, com a mudança no comando da Petrobras, Bolsonaro esperava que José Coelho só anunciasse um aumento em médio ou longo prazo.

CNN Brasil

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