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CNN Sinais Vitais estreia novidade temporada com incidente sobre 2 anos da Covid-19

Por redação

Casos de pneumonia de origem desconhecida. Assim foram reportados à Organização Mundial da Saúde (OMS) os primeiros indícios, ainda em 2019, do que viria a ser a doença designada Covid-19 – uma junção dos termos doença do coronavírus em inglês “coronavirus disease” com o acréscimo do ano de identificação.

Nos últimos dois anos, acompanhamos reflexos do rápido espalhamento pelo mundo do vírus detectado em Wuhan, na China. Os impactos foram devastadores para os sistemas de saúde públicos e privados dos países. Falta de leitos hospitalares, escassez de insumos e de equipamentos de proteção individual, luta na compra das primeiras vacinas. As lições em saúde pública são inúmeras, de harmonia com médicos e cientistas.

A novidade temporada do CNN Sinais Vitais começa com um balanço dos últimos dois anos da pandemia de Covid-19. Uma crise sem precedentes que afetou a economia, a instrução, o cotidiano e a saúde mental de milhões de brasileiros e pessoas ao volta do mundo.

O incidente de estreia da novidade temporada, com o cardiologista Roberto Kalil, estreia neste domingo (24), às 19h30, reforçando o teor diversificado com a marca CNN Soft.

O programa traz reflexões e aprendizados dos especialistas que estiveram na risca de frente contra o vírus.

“Nesses dois anos, tivemos que trabalhar incessantemente”, conta Jorge Kalil, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Laboratório de Imunologia do Incor. Segundo ele, foram dois anos de dedicação totalidade à medicina e à ciência. “Talvez eu nunca tenha trabalhado tanto na minha vida”, aponta.

A sobrecarga de trabalho e o pavor de uma doença desconhecida levaram muitos profissionais ao limite.

“O que eu mais senti foi uma trouxa de estresse bastante elevada. Eu geralmente durmo muito muito, mas acordava duas, três horas da manhã e não conseguia dormir mais. Sempre aquilo na cabeça porque é a teoria da luz no escuro: se na luz de vela não há vento, uma vez que vai ser amanhã?”, relata o diretor do Serviço de Psicologia e Neuropsicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Antonio Serafim.

O médico infectologista David Uip afirma que apresentou sintomas de pânico desencadeados pelo estresse. “Era um pavor dissemelhante de quando eu tive Covid. Com a Covid, eu tinha aquele receio do dia seguinte, uma vez que vou pactuar amanhã. Quando tive esse esgotamento físico e emocional, eu tive pavor de morte iminente, eu sentia que não ia dar”, revela.

Kalil conversa também com o professor e filósofo Mario Sergio Cortella, que apresenta reflexões sobre dor e pavor uma vez que mecanismos de proteção da integridade.

“As duas coisas servem para que eu não me arrisque à toa ou eu tenha um sinal vital de que alguma coisa não está indo muito, nesse sentido dor e pavor não são ruins. No entanto, quando o pavor é maximizado, ele se torna quase pânico e o pavor transformado em pânico leva a um descontrole, leva quase a uma inação, a uma desorientação”, diz Cortella.

Diversos impactos da pandemia

O incidente também conta com a participação da médica Ho Yeh Li, que foi a primeira a ir para Wuhan, epicentro da pandemia, em resgate aos brasileiros que estavam na China. Ela destaca que além das consequências físicas, a contaminação também pode provocar sequelas emocionais.

“A gente tem o lado físico e tem o lado emocional também. Nem é só quem teve Covid, mas as pessoas que foram indiretamente afetadas nessa pandemia, as famílias, aqueles que perderam (pessoas), a quantidade de órfãos que a gente tem”, diz Ho, que atua uma vez que coordenadora da UTI de doenças infecciosas do Instituto Medial do Hospital das Clínicas.

A doença de transmissão respiratória pode provocar uma série de sintomas que vão além dos reflexos de danos aos pulmões, uma vez que a dificuldade para respirar. Pessoas que sofrem com a chamada “Covid-19 longa” podem apresentar quadros que incluem alterações neurológicas, de comportamento, insônia, dores musculares e nas articulações. Recuperados também podem apresentar perda de olfato e de paladar, quadros clínicos chamados tecnicamente de anosmia e ageusia, respectivamente.

Apesar dos impactos para a saúde mental, pacientes recuperados também afirmam transpor fortalecidos da doença. “Aprendi coisas boas, principalmente a solidariedade da população”, diz Carlos Roble, diretor da Ramificação de Pneumologia do Incor e médico que chefiou os protocolos de tratamento da Covid-19 pelo Ministério da Saúde.

A pesquisadora Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina e do Instituto de Medicina Tropical da USP, liderou o grupo que realizou o primeiro sequenciamento genômico do novo coronavírus no Brasil. Ela afirma tirar duas lições positivas da pandemia: “saímos mais fortalecidos e as pessoas passaram a entender melhor o que os cientistas fazem”.

CNN Brasil

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