A necessária reconstrução econômica e social do Brasil nesta dezena

Por redação

Em tempos de eleição presidencial, tem sido generalidade a divulgação de livros em torno de propostas para o novo governo. Quase nunca seguidas, essas ideias acabam se perdendo no tempo, mas vão ganhando volume ao longo dos anos e eventualmente podem completar se transformando em políticas públicas.

O tempo da política, por fim, é muito dissemelhante do que nós economistas gostaríamos. E nós estamos mais do que atrasados ao negarmos as boas propostas que surgem.

Nesse sentido, acabou de ser lançado um conjunto extremamente interessante de ideias, organizado por Felipe Salto, João Vilaverde e Laura Karpuska, chamado “Reconstrução: o Brasil nos anos 20”. O título não poderia ser melhor, pois se trata de um longo período primeiro necessário de fortes mudanças na economia e nas políticas sociais.

Depois de anos de desajuste na economia, em um primeiro momento capitaneada pelo PT, seguiram-se nos últimos anos alterações nas políticas sociais que trouxeram retrocessos nas políticas inclusivas que começavam a lucrar corpo. O petismo e o bolsonarismo se juntaram para desmontar a economia e o social com intensidade, respectivamente.

Não à toa, as proposições neste livro não se fixam unicamente na economia, corretamente. Consideram temas importantes de reflexão, que vão desde a necessária reforma política para um sistema distrital misto, que concordo, até questões sobre racismo e políticas públicas para a juventude e a primeira puerícia, talvez mais fáceis de fazer do que uma boa reforma política.

Sem olvidar um ponto muitas vezes ignorado que é o federalismo. País continental com estados vocais uma vez que o Brasil fazem com que as soluções tenham que ser muito mais negociadas e em universal demoradas, diferentes de países unitários uma vez que Chile, Coréia do Sul, Cingapura e outros que são usados uma vez que benchmark de confrontação de incremento com o Brasil. O federalismo mal resolvido do país, que veio de cima para plebeu, dissemelhante do americano, que foi construído pelos estados, coloca estados que ao mesmo tempo são fortes, mas também fracos.

De qualquer maneira, uma vez que salientado pelo item final de Mathias Alencastro, a saída que a pandemia trouxe de estados se organizando para combater a disseminação da doença, uma vez que foi o papel do Fórum dos Governadores, traz um caminho de fala interessante para saídas econômicas regionais, por exemplo.

No item anterior exemplifiquei a possibilidade do Nordeste poder virar um polo tecnológico com a base de mão de obra e tecnologia que começa a surgir por lá, em um momento em que o Oeste olhará outras fontes de importação fora da China. Estamos muito, muito longe de qualquer coisa minimamente pensada sobre isso, mas seria um caminho produtivo para uma região que precisa se reinventar do ponto de vista econômico.

Nesse sentido, é digno de nota a percepção do papel ativo responsável do Estado, que aparece no primeiro item de Bráulio Borges, mas também em uma esfera internacional, no item final de Mathias Alencastro.

Não existe espaço para preterir o papel efetivo de políticas públicas, uma vez que tem sido uma jacente no atual governo, das quais foco tem se direcionado ao projeto eleitoral. Com efeito, a transformação do Bolsa Família no Auxílio Brasil tirou o foco nas condicionalidades e no escopo dos mais pobres que era o intrínseco do projeto anterior.

É verdade que havia premência de ajustes, mormente com os condicionantes focando a primeira puerícia, para a qual diversos estudos têm mostrado a valia de largo suporte a essa tempo da vida, uma vez que mostra o item de Pedro Nery.

A procura do estabilidade macro não poderá vir sem o estabilidade social, mas, sob essa ótica, senti falta de alguns assuntos que poderiam ter sido mais explorados. Por exemplo, um dos nós górdios que o país enfrenta é o sistema de justiça engessado e de desincentivo ao setor privado.

Propostas de melhoria no envolvente de negócios precisariam passar pela subtracção da judicialização com prazos intermináveis, uma vez que víamos em alguns casos na justiça trabalhista. Ela conseguiu diminuir processos que não tinham base jurídica e incentivou a contratação, uma vez que estudo tem mostrado. Esse ponto poderia ter sido explorado mormente por conta da discussão voltar à tona caso Lula vença as eleições.

No contextura da macroeconomia, valeria um capítulo à secção para a necessária sinceridade mercantil, discutida em um dos artigos do livro. Pensando na indústria, esse deveria ser o caminho para ampliar a produtividade do setor através de mais acordos comerciais e subtracção sistemática de tarifas de importação, não unicamente com o objetivo inflacionário uma vez que tem sido feito levante ano.

Discutir o papel de uma Emprapii, por exemplo, nesta dezena seria interessante mormente pela formato de uma guerra fria econômica entre EUA e China que poderia transfixar espaço para o Brasil em transacção com os americanos e europeus em vigor, para encetar a conversa.

O Brasil é grande o suficiente para termos infindáveis assuntos para artigos sobre sua reconstrução. Mas levante livro traz um guia óptimo de questões que não poderão estar de fora da discussão nos próximos anos. Com o risco de perdemos novamente o bonde já perdido da última dezena, que façamos da dezena de 20 realmente um momento de reconstrução econômica e social.

CNN Brasil

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