Você está aqui
Início > Cultura > SHAKESPEARE – A ALMA HUMANA EM CENA

SHAKESPEARE – A ALMA HUMANA EM CENA

William Shakespeare, que viveu na Inglaterra de 1564 a 1616, é o autor mais encenado no mundo. Em seu trabalho, composto de 38 peças teatrais e mais de 150 poemas, ele oferece uma visão completa das questões que afligem as pessoas de todas as épocas. No drama, na comédia, na tragédia, as frases que colocou na boca de personagens universais, como Romeu e Julieta, são marcos na análise da condição humana. Afinal, quem nunca ouviu dizer que “há mais coisas entre o céu e a terra do que a nossa filosofia é capaz de sonhar”? E quem não sabe que a questão essencial da vida é “ser ou não ser?”

ANTES DE FREUD

Com 300 anos de antecedência, William Shakespeare foi o grande precursor de Sigmund Freud (1856-1939, pai da psicanálise) na análise de nossas motivações mais íntimas e profundas. Uma boa pista para observar o quanto sua obra pode nos ajudar a ser mais bem-sucedidos no relacionamento com o mundo – e com nós mesmos – está justamente na evocação de suas frases:

shakespeare-a-poesia-da-alma-humana-arte-psicologia-comportamento-mente-sabedoria-nosso-blog-1.jpg

Esse lembrete precioso é dito justamente ao personagem que não toma atitudes concretas para demonstrar na prática toda a paixão que ele diz, com tantas palavras, estar sentindo. Sugere menos conversa e mais ação.

shakespeare-a-poesia-da-alma-humana-arte-psicologia-comportamento-mente-sabedoria-nosso-blog-2.jpg

Isso é o que diz Macbeth ao ver se dissolverem no vento as bruxas que momentos antes haviam previsto que ele se tornaria rei. Quantas vezes não necessitamos dessa injeção de realismo na vida, nos momentos em que acreditamos que são coisas sólidas e seguras o que não passa de miragem?

shakespeare-a-poesia-da-alma-humana-arte-psicologia-comportamento-mente-sabedoria-nosso-blog-3.jpg

Quem diz isso é a ambiciosa lady Macbeth, depois da morte de Duncan, rei da Escócia. Ela deseja estimular o marido, Macbeth, a ir em frente e tomar o trono. Duncan está morto, e não há como voltar atrás. É preciso tomar as providências que o caso requer, não adianta ficar à espera de que fatos novos caiam do céu. Ao contrário do que se poderia pensar, essa frase não é um convite à imobilidade e ao conformismo.

shakespeare-a-poesia-da-alma-humana-arte-psicologia-comportamento-mente-sabedoria-nosso-blog-4.jpg

 

Que estímulo maior se poderia encontrar para quem tem a consciência de realizar um bom trabalho? No entanto, é sempre útil lembrar que o bom vinho deve ser servido para ser devidamente apreciado. Com ou sem rótulo, não pode ficar escondido indefinidamente na garrafa.

shakespeare-a-poesia-da-alma-humana-arte-psicologia-comportamento-mente-sabedoria-nosso-blog-5.jpg

Uma das características mais marcantes na obra de Shakespeare é seu humor, que se faz presente muitas vezes na sequência dos momentos mais tristes, como a lembrar que as tragédias da vida podem, e devem, ser superadas. Por exemplo, quando Julieta aparece morta na manhã de seu casamento, a ação corta para os músicos que iriam tocar na festa. Eles fazem uma série de piadas e se declaram preocupados por não saber se o almoço prometido vai ou não vai sair, agora que a cerimônia gorou. Outra qualidade importante do humor que Shakespeare nos ensina é saber rir de si próprio para a vida valer a pena. Mas não se esquece de nos alertar também, pela voz de Romeu, ansioso por reencontrar sua Julieta: “Só ri dos ferimentos quem nunca se machucou”.

shakespeare-a-poesia-da-alma-humana-arte-psicologia-comportamento-mente-sabedoria-nosso-blog-6.jpg

Nesse ponto também, é como se William Shakespeare tivesse antecipado Freud na percepção da importância dos sonhos. As referências oníricas são constantes em sua obra. Quando Hamlet declama o famoso “ser ou não ser”, diz o seguinte, logo depois: “O sono cura os males do coração… Morrer… Dormir… Talvez sonhar”. Tão importante é esse tema que uma das peças mais famosas de Shakespeare chama-se justamente Sonho de uma Noite de Verão. Nela, as peripécias dos personagens os levam até a ficar na incerteza sobre se estão acordados quando estão sonhando, ou vice-versa. Qual é o sonho, qual é a realidade, afinal?

Estes exemplos são apenas alguns entre os inúmeros que podemos buscar na obra de Shakespeare. A leitura de seus trabalhos é mágica para os momentos em que desejamos nos conhecer melhor, aliviar nossas aflições ou simplesmente… Rir. E, depois dele, poderíamos até afirmar, como em uma de suas peças: “O resto é o silêncio”.

Fonte: blog compra zen

 

Deixe uma resposta

Top
%d blogueiros gostam disto: