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Migração para TV digital no Brasil amplia sinal de 4G e vira exemplo internacional

Melhor qualidade de imagem da televisão e, de quebra, ampliação do acesso à conexão 4G nos telefones celulares. O processo de migração para a TV digital no Brasil ainda está em curso, mas já é avaliado como um sucesso.

A estimativa é de que até o fim de 2018 a televisão analógica seja desligada em 1.378 cidades do país – incluindo todas as capitais. O processo será concluído com os outros 4.192 municípios, que farão a migração até dezembro de 2023. O desligamento do sinal analógico traz uma vantagem importante: libera a faixa de frequência de 700Mhz, que pode ser utilizada para ampliar a cobertura do sinal 4G para telefones celulares.

“Até setembro de 2018, cerca de 3.900 municípios foram liberados para a implantação de rede de telefonia móvel de quarta geração na faixa de 700Mhz, com previsão de liberação de mais 438 municípios ainda em 2018 e 1.232 em 2019”, destaca Moisés Moreira, secretário de radiodifusão do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

“A faixa de 700 MHz é conhecida por suas excelentes características de propagação de sinal, superiores a qualquer outra rede de celular existente no Brasil. Assim, além de aumentar o total de frequências disponíveis para a banda larga móvel, amplia a área de cobertura das estações celulares operando nesta frequência, possibilitando assim que a telefonia móvel e a internet de banda larga cheguem às áreas rurais e de pouca densidade populacional, e facilita a recepção do sinal em ambientes fechados”, complementa.

O pontapé inicial do processo foi em Rio Verde, no interior de Goiás, primeiro município em que foi desligada a TV analógica em março de 2016. Desde então, uma eficiente campanha de comunicação tem sido importante para informar e auxiliar quem faz a migração para o sinal digital.

“Outro grande desafio, superado com êxito, foi o desligamento do sinal analógico de televisão em Brasília e mais nove municípios vizinhos, ocorrido em novembro de 2016, impactando uma população de aproximadamente 4 milhões de habitantes”, afirma Moreira.

Para não deixar a população de baixa renda de fora, o governo tem distribuído kits com conversores digitais e antenas. É uma forma de atender à exigência legal de que, para desligar o sinal analógico, 93% dos domicílios do município tem de estar aptos a receber a TV digital. Atualmente, cerca de 11,6 milhões de famílias inscritas em programas sociais já foram beneficiadas e estão preparadas para receber a programação de televisão em formato digital.

Em março deste ano, a ouvidoria da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) teceu largos elogios ao processo de migração no Brasil. No relatório, sugeriu que o exemplo fosse apresentado em fóruns internacionais de telecomunicações.

O país tem assumido papel de liderança em entidades como o Fórum ISDB-T Internacional, que reúne 19 países que adotaram o padrão de televisão digital ISDB-T. O objetivo é promover o desenvolvimento integrado do padrão e o intercâmbio de experiências na sua implantação.

“O governo brasileiro é representado em vários organismos internacionais que tratam, dentre outros assuntos, da transição entre televisão analógica e digital e de radiodifusão de uma forma geral. Dentre os mais relevantes, estão a União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão máximo do setor, e a Comissão Interamericana de Telecomunicações (CITEL), que congrega os países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA)”, lembra Moreira.

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