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Leia a crítica: Utlander – 1ª Temporada

Outlander-Topopor Alexandre Moreira

 

Introdução

Emoção seria o único modo de descrever essa temporada em uma só palavra. Descobri a série quando duas amigas conversavam sobre o livro que a inspirou. Quando citaram “viagem no tempo” e “escoceses”, foi o bastante para mim. Depois de buscar algumas imagens do elenco, não restou dúvidas: precisava ver a série (ninguém discute com homens de kilt!). Até onde consegui levantar (e ler um pouco), a adaptação da primeira season foi uma adaptação muito fiel de “A viajante do tempo”, o primeiro livro da série escrita por Diana Gabaldon.

Outlander estreou em 2014 e, após um hiato no meio da temporada, finalizou os 16 episódios em maio de 2015. Falando de maneira jogada, a história toda pode parecer meio non-sense e pode até ser de início, mas garanto a você: vale a pena continuar! Vou partir de uma contextualização de como a história começa para fazer análises mais gerais no fim. Boa viagem!

A viajante do tempo

No episódio piloto, conhecemos Claire e Frank. O casal foi separado pouco após o casamento devido o estouro da segunda guerra mundial. Ela foi servir como enfermeira e ele lutar em nome da Inglaterra. Depois de cinco anos distantes um do outro, eles resolvem ir à Escócia em uma segunda lua-de-mel para reatar o casamento e matar as saudades. Dali a pouco, Frank começaria a lecionar aulas numa universidade, então a viagem também foi oportuna para explorar seu passado e conhecer um pouco mais sobre a cultura e os povos das montanhas escocesas.

Frank é um tanto quanto obcecado por genealogia, motivo pelo qual é ansioso para ter um herdeiro com Claire (guarde essa informação para quando falarmos da segunda temporada!). Na viagem, ele aproveita para rever um antigo amigo e reverendo da cidade que o ajuda encontrar vestígios de seus antepassados que viviam na região. Por uma feliz “coincidência”, esse hooby de explorar a árvore genealógica viria a salvar Claire em sua jornada.

O primeiro ocorrido estranho na série é um misterioso vulto que observa Claire da rua. Frank, ao se aproximar da casa, vê a estranha figura que observa sua esposa e se aproxima, o estranho então desaparece misteriosamente no meio da noite. Até aí, tudo bem, a vida segue, ou quase. Em uma tarde, a mulher do reverendo pede para ler a xícara de chá e as mãos de Claire, que é surpreendida com as informações de “uma linha da vida bifurcada” e “a linha do amor interrompida”, indicando dois casamentos. Embora não fosse supersticiosa, Claire ficou assustada com a “profecia” da mulher.

Na madrugada seguinte, ela e o marido presenciam um ritual pagão de uma dúzia de mulheres vestidas de branco e dançando em volta de rochas na colina. As druidas, como eram chamadas, vestiam branco e seguravam velas protegidas por um candelabro com folhas e flores. O casal fica encantando com o rito, que dura até o sol nascer. Mas Claire compartilha a sensação de que não deveriam estar vendo aquilo. Quando vão embora, eles se aproximam das rochas, mas logo são interrompidos por uma jovem que volta ao local para resgatar um pertence que deixou cair.

Na ocasião, Claire é conquistada por uma flor desconhecida que vê ali perto, mas devido a interrupção, não pode colher uma amostra. Mais tarde, no mesmo dia, ela resolve voltar ao local e colher uma. E é neste momento que tudo acontece.

Sozinha no local, ela sente um forte vento e ouve algum barulho que, de alguma forma, parecia sair de uma das rochas. Quando encosta nela com suas mãos, ela apaga completamente. Quando desperta, desnorteada, volta ao carro que deixou em meio a estrada da colina.

Bem, a trama começa quando ela não encontra o carro, nem a paisagem pela qual passou com Frank horas atrás. Ainda tomada pelo susto começa a explorar a floresta e caminhar nas redondezas até ser surpreendida por uma troca de tiros.

No contexto, o exército real inglês combatia escoceses que estavam na região. Em meio a batalha, como se os eventos estranhos não bastassem, Claire conhece o temível capitão Randall, antepassado (e muito semelhante fisicamente) de Frank que a tenta estuprar. Por sorte, ela é resgatada pelos escoceses, que a fazem de refém. Completamente desamparada com tudo o que acontecia, ela esperava, mas já ciente que não era possível, que tudo aquilo fosse um sonho.

Pouco depois, ela vem a conhecer Jaime (<3’) um (lindo e ruivo) soldado escocês que recebe seus cuidados médicos ao tratar de uma fratura no braço. Daí em diante, a trama desenha um caminho tortuoso até Claire aceitar que tinha voltado 200 anos no tempo. Longe de energia elétrica ou qualquer modo de comunicação com o marido, o tempo passa e aos poucos ela acaba se afastando mais de seu passado – no caso futuro – e se entrega, pouco a pouco ao romance com Jaime a ao modo de viver a vida daquelas pessoas.

A trama

Claire volta 200 anos no tempo após encostar em misteriosas rochas no topo de uma colina. Em sua jornada, conhece Jaime Fraser e sua família. As circunstâncias são favoráveis ao desenvolvimento do romance entre os dois que, pouco a pouco, compartilham intimidades, medos e vontades.

Os conhecimentos sobre o futuro ajudam Claire sobreviver naquele cenário e ajudar os escoceses a lidar com o exército britânico, além disso, sua experiência como enfermeira e seu particular interesse em botânica possibilitaram ela conquistar a função de curandeira.

O que senti quanto ao roteiro foi: o que antes era dominado pela pergunta “como ela vai voltar para o Frank” é substituído por “como ela vai ficar com Jaime agora? ”. A mudança é bem sutil, ao longo dos 16 episódios, mas ela existe: ao longo da season, assim como Claire, somos levados a aceitar “o destino que nos foi dado” e passamos a jogar o jogo a partir das regras dadas. Num dado momento, o romance passa ser o coração de toda a trama, segundo a qual tudo gira em torno e desencadeia novas sub-tramas e reviravoltas na narrativa.

O conflito apresentado no início da série é alimentado por outras questões que tornam tudo muito mais complexo e difícil de lidar. Numa verdadeira montanha-russa de sentimentos e impressões, a primeira temporada fecha muito bem um arco narrativo depois do casal passar por diversas provações e desafios.

Os personagens

Claire desde o princípio é uma mulher de forte personalidade, segura de si, de seus sentimentos e escolhas. Determinada e de pé no chão ela demonstra particular frieza ao lidar com as mais difíceis escolhas e posições. Talvez a guerra a tenha fortalecido com emoções e com a natureza humana. Sua dignidade em ser fiel ao marido sempre foi um ponto fraco com relação a Jaime, mas, sem escolha que pudesse tomar, acaba se entregando à paixão pela qual é tomada por completo e sem a qual tem medo de viver naquele mundo que já não lhe pertencia. Claire vê em Jaime uma razão pela qual foi enviada aquele tempo-lugar, ao mesmo tempo em que ele se torna um porto seguro para o qual retorna sempre, não importando o que aconteça. Sua paixão lhe fornece energia e vontade para lutar e enfrentar seus maiores medos e limites, e principalmente ponderar sobre questões éticas e políticas daquele tempo e situação.

Jaime é um lindo (e ruivo) soldado escocês. Sua aparição e atuação desde o episódio piloto deixa claro que sua criação e responsabilidade enquanto homem proporcionou uma personalidade dura e (muito) teimosa. Embora certas atitudes sejam levadas por essa teimosia as vezes sem sentido, Jaime é uma figura de coração bom, preocupado sempre em proteger a família e amigos e, agora também, Claire, seu grande amor e confidente. Jaime, eu diria, é o personagem que mais cresce durante a season. Depois de passar por diversas cenas de humilhação e tortura, seu envolvimento com Claire é, ao mesmo tempo, tranquilizador e conflitante: uma mulher mais experiente (e mais velha uns 120 anos), vinda do futuro, como vem a descobrir depois, o deixa de “mãos atadas” em alguns momentos e essa fragilidade lhe sobe à cabeça, fazendo ser meio estúpido. Contracenando com Claire, porém, essas situações tendem a beirar o cômico, gerando um clima muito agradável para os episódios sempre carregados de tensão.

Embora pouco apareça na primeira temporada, Frank é uma peça fundamental para o contexto da trama como um todo. Não temos muitas informações sobre ele além do que vemos no episódio piloto e alguns outros no qual faz uma rápida aparição. Seu instinto protetor e romântico demonstra que ele e Claire teriam um ótimo casamento. Essa impressão pode conquistar certa simpatia por ele. Sua desconfiança sobre a fidelidade da esposa é, ao mesmo tempo, perturbadora, mas compreensível ainda assim. O saldo geral de impressões a respeito é que tenho certa pena dele depois de tudo o que aconteceu; perder a esposa nas circunstâncias misteriosas em que ocorreu. Sejamos solidários um pouco: não deve ser fácil!

A simpatia por Frank é quase que desconstruída de imediata quando conhecemos o Capitão Black Randall(interpretado pelo mesmo ator). É muito fácil construirmos a ideia de um “Frank do passado” e projetarmos na figura nojenta a pessoal com qual Claire estava/está destinada a viver o resto da vida. Randall é um homem autoritário e estúpido, fala e se comporta como se fosse um deus e estivesse acima da lei do próprio rei para o  qual serve e jurou fidelidade. Sua atração homossexual (spoilers!) por Jaime é uma peça-chave muito importante para o desfecho da primeira temporada. E, inclusive responde muitas questões que cercam a construção do personagem de Jaime em tempos antes da Claire.

Personagens secundários tem uma passagem rápida pela série, mas são igualmente cruciais para o futuro da relação Claire-Jaime e tudo o que ela significa para a trama. Em sua maioria, preocupados com a fidelidade e preservação de suas respectivas famílias ou clãs a quem são leais, é bem difícil se despedir deles.

Panorama

Se não convenci você a conhecer a série até aqui, estou quase desistindo, mas ainda há tempo para uma última tentativa. Outlander, é um seriado com um ótimo roteiro e trama. Os livros de Diana são um perfeito norte para a produção e até agora não deixaram nada a desejar segundo a opinião dos fãs. Além disso, a direção de arte e fotografia da série estão de parabéns pelas ótimas imagens e pesquisas feitas para a composição do cenário. Alinhado à narração em off feitas ora por Claire, ora por Jaime, contribuem para a nossa imersão no mundo proposto pela história. A contribuição da direção de som e a trilha sonora fecham o pacote de uma ótima composição audiovisual.

O elenco muito competente e sintonizado demonstra ainda o perfeito cuidado para a contribuição de cada elemento ali dentro para que, numa perfeita dança, conduza o público nesta jornada envolvente e encantadora.

Fonte: Portal Caneca

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