22 anos de sofrimento

22 anos de sofrimento

22 anos de sofrimentoPor CARLOS MAGNO MENEZES* É fato constatado que toda taça corintiana é erguida após muito sofrimento. Pois bem, os nostálgicos da década de 60 e 70 podem questionar, puramente por nostalgia, mas foram nos últimos 22 anos que aconteceu o período mais sofrido da centenária história do Corinthians. Este período começou em 95, quando sofremos até a prorrogação para retomar a hegemonia do Paulistão contra o Palmeiras, e suamos sangue contra o raçudo time do Grêmio para conquistar nossa primeira Copa do Brasil. Depois recuperamos, mais uma vez e de uma vez por todas, a hegemonia do Paulista em 97. Entre 98 e 2000 vivemos um período não de sofrimento, mas de agonia. Brasileiro 98, Paulista e Brasileiro 99. Quando Edmundo chutou pra fora o pênalti que nos deu o nosso primeiro mundial, em 2000, o povo corintiano nas arquibancadas era a fiel representação do quadro ‘O Grito’, de Edvard Munch. Mas o coração não tinha descanso… Veio mais um Paulista em 2001, com uma série de vitórias inesquecíveis e uma semifinal histórica contra o Santos. Rio-São Paulo e Copa do Brasil em 2002 e Paulista (em vias de se tornar Paulistinha) em 2003, que consagraram o São Paulo como nosso grande freguês. Sofremos até a última rodada do Brasileiro de 2005, o quarto que nosso coração suportara. Mas depois desta última conquista passamos por dois anos de calmaria, tudo levava a crer que os anos de sofrimento haviam passado. Ledo engano, após a calmaria veio uma tempestade, um vendaval na verdade, mas que começou com uma brisa: o Brasileiro da série B em 2008. O vendaval fenomenal que atingiu o Parque São Jorge nos fez sofrer com a Copa do Brasil e o Paulistinha em 2009, o quinto Brasileiro em 2011, Libertadores e segundo Mundial em 2012. Recopa e Paulistinha em 2013, além do Sexto Brasileiro em 2015, no qual sofremos até a última rodada na tentativa de quebrar os recordes dos pontos corridos. Sofremos muito. Cansados que estávamos, tentaram nos iludir, dizendo que em 2017 não seria de sofrimento, pois éramos a quarta força, teríamos poucas emoções. Tudo mentira! Sofremos com o Paulistinha e a possibilidade Ponte Preta vingar o jogo do falso período de sofrimento de 1977. E sofremos muito para alcançar a liderança do Brasileiro 2017 na quinta rodada e ter que manter os perseguidores durante todo o campeonato dentro de uma margem de segurança arriscada. Mas ainda não vencemos, ainda tem sofrimento pela frente. Tanto sofrimento traz consequências. Meu pai, 61 anos, flamenguista, com décadas de tranquilidade, não tem nenhum fio de cabelo branco. Já eu estou com 34 anos e fios de cabelos brancos espalhados pela cabeleireira negra, que tento cortar semanalmente para manter um aspecto jovial. Hoje, em frente ao espelho, fui procurar os 22 fios brancos para passar a tesoura como de costume e acabei identificando um 23º fio. Faz todo o sentido… *Carlos Magno Menezes é jornalista e colecionador de pôsteres de times campeões do Corinthians, mas sua casa anda meio sem espaço…{authorlink Blog do Juca Kfouri}

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